
Com a vitória do sim no referendo de ontem vira-se uma página de história em Portugal, não somente pelo direito das mulheres de escolherem e serem donas por inteiro de seu corpo e de sua alma, mas essencialmente - para mim questão vital - pelo simples facto de os portugueses já pensarem um pouco pela sua cabeça e não alimentados cegamente no seu inconsciente-consciente pelos dogmas seculares da "má igreja" (isto porque existe uma "boa igreja") , pelos tiques extremistas aliados a um discurso nacionalista ôco e redutor ou por lideres a prazo de partidos falsamente moralistas. Existem realmente por ai muitos abortos-vivos que no seu dogmatismo não prático, qual marxismo utópico inalcançável, destilam litros de um liquido viscoso chamado moral da falsa virgem púdica.Nota positiva nas campanhas do Não e do Sim para o imergir de rostos anónimos que assumiram com coragem, clareza e correcção as suas posições; afinal mecanismos próprios da maturidade do processo da práxis made in democratia. Nota muito negativa para todos os líderes partidários (alguns mais negativos do que outros claro está...) que , mais uma vez, passaram aos portugueses um atestado de menoridade mental ao quererem transformar uma questão social numa questão banalmente politica. Afinal ainda existe esperança em Portugal : Votámos no Sim ou no Não, em consciência, fazendo aos nossos maus politicos (devem existir também bons politicos, devem existir...) um real manguito à Zé Povinho, tão tipicamente digno de qualquer Português que se preze.