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segunda-feira, maio 04, 2026

Mãe de Abril




As palavras são sempre curtas no que toca a reescrever o que a minha Mãe foi é e será para mim.

Num raio cronológico de acção considero a minha Mãe uma formação do Abril de 74 do contentamento de muitos nós.

A Virginia Correia e o Policarpo casaram dois dias depois da revolução dos cravos e eu nasci no desaguar final de 74.

Bebemos os três a revolução dos tempos e a esperança ainda por concretizar de uma sociedade mais justa e equalitaria.

Apanhamos o comboio europeu os adventos tecnológicos impensáveis anos antes e o encurtar de distâncias físicas e emocionais.

Também tivemos que enfrentar tempestades e crises, momentos que pareciam intransponíveis mas superados com o Amor basilar. 

A minha Mãe soube sempre crescer e acompanhar os tempos.

Trabalhou com denodo honra e amor á camisola acarinhando centenas de Crianças durante mais de três décadas no seu ramo principal de actividade.

Ensinou me o valor prático do Amor desinteressado e que devemos não espezinhar o próximo.

Em muitos Natais recebemos em nossa casa Crianças que não tinham Natal nem um ponto de carinho para se aconchegarem fruto do empenho e sentimentos incondicionais de minha Mãe.

É uma pessoa livre decidida e que gosta das pessoas  pelo prazer de gostar e acarinhar.

Não espera nada em troca nem age com agenda própria de interesses materiais.

É equilibrada justa e esconde em si uma preocupação sempre presente de quem gosta.

É o ponto de equilíbrio constante que recalibra os meus pontos de vertigem e os meus momentos de dúvida.

É provavelmente a estrela que me faz acreditar que tudo ainda é possível e que a vida é sempre uma fábula por rescrever.

Hoje e sempre ( para sempre) OBRIGADO querida Mãe por tudo o que fazes por mim!!!

Beijinhos grandes 😘😘😘 do teu 

Paulinho



 

quinta-feira, abril 23, 2020

Diário de um Quarentão (em "quarentena") Parte II





Chuva com gotas lentas e escorridas que morrem em ondas curtas de sol forte e pleno no tempo (do tempo sem tempo) que custa a passar. O mês de Abril tem trezentos dias e trezentas noites, com o comprimento de um qualquer muro interminável no qual fixamos o olhar e nos sentimos derrotados á priori (o caminho faz-se...escalando...não?!).

Um caracol corajoso agarra se á parede gasta da minha varanda (do meu refugio ) e com o seu ritmo não frenético abriga se no seu escudo natural ao sentir a curiosidade canina do Beiças. Todos nós procuramos (nestes tempos estranhos e difíceis) santuário seguro e refúgio salvador para podermos fugir aos medos e angústias que nos assolam.

A tarde passa...mas não o caracol...firme e resistente prossegue (persegue) o seu caminho firme, lento, sem desvios. Talvez nos falte isso a nós humanos: O firme caminho da resiliência sem nos desviarmos um milímetro da meta (rota) traçada.

Não resisto de adulterar o destino...pego com cuidado no meu lento novo amigo, altero a trajectória e vicio o jogo. Agora o santuário animal da lentidão está num vaso da minha varanda no meio do verde rotundamente verdejante, mesclado na terra húmida e forte, negra como uma noite escura sem estrelas que pintem o céu (no meio do negro irromperá a esperança).

Longos dias tem Abril e este não ano da nossa (re)descoberta; sim...não não irá ficar tudo bem ou igual, nada será como o amanhecer da esperança de janeiro nem como os ciclos das renovações  firmadas num qualquer pacto de objectivos anuais.

Cresceremos entre a chuva e o sol, entre as gotas que caem do divino ao qual nos agarramos e o calor arrebatador  que nos dá a esperança do escoar  destes tempos com tempo a mais.

Trago a última gota de vinho alentejano, apago um cigarro profundo e olho pela última vez pra um qualquer caracol forte e firme que viu o seu trajecto subvertido (com a melhor das intenções). O Beiças vem me tranquilizar docemente entre quatro patas de carinho e afecto sincero no seu olhar profundo. Acho que me quer apenas latir no seu dizer de que não ficará tudo bem mas no inicio no meio e no fim o AMOR (com letras garrafais) sem fronteiras, os beijos e os abraços triunfarão.