
sábado, abril 12, 2008
Poesia sem Raça
Lá na úmida senzala,Sentado na estreita sala,Junto ao braseiro, no chão,Entoa o escravo o seu canto,E ao cantar correm-lhe em prantoSaudades do seu torrão ...De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,Que tem no colo a embalar...E à meia voz lá respondeAo canto, e o filhinho esconde,Talvez pra não o escutar!"Minha terra é lá bem longe,Das bandas de onde o sol vem;Esta terra é mais bonita,Mas à outra eu quero bem!"
O sol faz lá tudo em fogo,Faz em brasa toda a areia;Ninguém sabe como é beloVer de tarde a papa-ceia!"Aquelas terras tão grandes,Tão compridas como o mar,Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ..."Lá todos vivem felizes,Todos dançam no terreiro;A gente lá não se vendeComo aqui, só por dinheiro".O escravo calou a fala,Porque na úmida salaO fogo estava a apagar;E a escrava acabou seu canto,Pra não acordar com o pranto O seu filhinho a sonhar!
O escravo então foi deitar-se,Pois tinha de levantar-se Bem antes do sol nascer,E se tardasse, coitado,Teria de ser surrado,Pois bastava escravo ser.E a cativa desgraçadaDeita seu filho, calada,E põe-se triste a beijá-lo,Talvez temendo que o donoNão viesse, em meio do sono,De seus braços arrancá-lo!
Histórias Deliciosas

A Propósito de Racismo(s)

Sinceramente nunca entendi muito bem a lógica (irracional e estúpida) do fundamento dos vários conceitos de racismo e sua explicação, muitas vezes com pseudo fundamentações históricas e sociais. Fui educado no seio de uma família liberal em que me foi incutido a noção exacta de valores como a solidariedade, amizade e respeito pelo próximo. Considero-me um tipo competitivo mas não me passa pela cabeça subir socialmente – nas suas variadas nuances - trepando por cima do próximo, utilizando jogo sujo ou pressões várias. Como tal também não concebo explicar fracassos ou derrotas, descarregando verbalização estúpida e decadente do estilo “isto tá mal de emprego por causas dos pretos” ou outras afirmações imbecis do género “ a economia mundial está mal pelos banqueiros nojentos judeus”. Já ouvi vezes demais desabafos e afirmações destas, sempre me opondo a esse estado de alma e das coisas. Um individuo é um individuo, que se deve impôr pela sua qualidade intrínseca enquanto pessoa, independentemente da cor da sua pele, da sua etnia, religião ou “berço”. A nossa maior fraqueza enquanto seres humanos é, bastas vezes, praticar racismos mesquinhos no nosso dia a dia; não somente pela cor da pele mas também pelo sentido sinuoso de ciúme materialista pelo conseguido pelo nosso semelhante. Chama-se a isso inveja.
TS Back to Action

quinta-feira, abril 10, 2008
Devil Inside

Lutar Lutar Lutar
Mais uma semana de pequenas vitórias e muitas frustrações. Siga la rumba (plágio de amigo)…para a semana será melhor. O sol brilhará e tudo correrá mejor. Se assim não o for…be patient…o sol acaba sempre por brilhar…mais vale tarde do que nunca…não concordam?!
Nota de Rodapé
Licenciados

Isto tá Fodido

Leituras Clássicas

quarta-feira, abril 09, 2008
POESIA SONORA

TS Atacam (amanhã) no Galeria Bar
Maria na Prisa

terça-feira, abril 08, 2008
VODKA RED BULL

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segunda-feira, abril 07, 2008
MALATO SOBE

TROCAS E “BALDROCAS”

Sinceramente mete-me muito fastio as rubricas cor de rosa dos programas da tarde nos canais tugas. Um chorrilho de banalidades destiladas ao vento sem muito nexo nem tino. Figuras como Castelo Branco e afins metem-me na consciência moral e fisica que afinal somos um pais medíocre que se preocupa mais com o “mal da vizinha” do que com os problemas reais. Tudo bem…ok…assumo…todos nós gostamos um pouco de má-lingua…mas só um bocadinho tá?!
TRI TRI TRI
UMA QUESTÃO DE DIGNIDADE

Há alguns anos atrás quando trabalhava 100% no fenómeno da noche, deparei-me com as situações (infelizmente) próprias de pressões dos meandros da noite. Pressões, insinuações, ameaças semi-veladas. Em suma fui “espremido” e – em muitos casos – tive que ceder a bem da estrutura empresarial conjunta e do meu próprio bem pessoal e profissional. No entanto tudo têm um limite tolerável a partir do qual a corda não pode esticar mais. Por uma questão de dignidade e amor próprio desliguei-me. Não por medo ou cobardia; mas por não tolerar mais atropelos, pressões e não saber viver no medo e na penumbra. Faço o balanço (todos fazemos balanços e balancetes…) e na génese não me arrependo de ter fugido olhando de frente; não me arrependendo do que vivi. Durante muito tempo tive pesadelos com rostos visíveis e fantasmas reais. Hoje já não sonho com pesadelos sombrios e com esses rostos e sotaques particulares. A bem da dignidade – da minha dignidade – fiz a fuga corajosa (penso que corajosa…) para a frente, revoltando-me e prosseguindo viagem. Tudo em nome da dignidade.
POR QUEM OS SINOS DOBRAM

TOCHA SIM TOCHA NÃO

15 MINUTES OF FAME

EMPATA FODAS

ANOTHER WEEK ANOTHER DAY
sábado, abril 05, 2008
I HAVE A DREAM (II)
MORTE AOS JORNALISTAS

sexta-feira, abril 04, 2008
BRAVE(LION)

quinta-feira, abril 03, 2008
REPETE LÁ?!

e…A PIADA INTERNA
A PIADA DE ROMA

quarta-feira, abril 02, 2008
A QUESTÃO NACIONAL DO TELEMÓVEL
Chamo-me Paulo Correia, tenho 33 anos. Sou da geração que aprendeu a conviver com a SIDA, que deixou de amar livremente para amar com a borrachinha gamada da gaveta do pai (ainda não existiam os preservativos xpt modelo 4567-style). Sou da geração à rasca e enrascada; da geração que gamava laranjas nas hortas de agricultores abastados pelo prazer do desafio (mas comia as laranjas…). Chegava a casa com os joelhos em sangue de jogar futebol e de pular muros para ir pelejar entre 22 camaradas nos campos fechados a cadeado (nós e o cadeado nunca nos demos lá muito bem…). Fumei o meu primeiro cigarro no liceu entre o odor do proibido e a sensação de liberdade. Roubava os meus primeiros cigarros SG Gigante (ainda não existiam os modelos de cigarros-lights xpto modelo 69-69) também ao meu pai com o fingimento deste de uma cumplicidade humilde do género “é uma febre vai passar” (não passou infelizmente pai, ainda fumo…). Sou de uma geração como todas as outras, ora julgando-se dotada de superioridade moral relativamente aos antecessores, ora se lamentando da sua má sina. Mas meus amigos, desculpem lá vocês (alguns…bom muitos…) são um pouco para a geração “fashion xpt modelo light fashion style forever” (longo suspiro…tenho que deixar de fumar…). Que raio vos deu para terem a superioridade moral e inestética de que o telemóvel é o melhor amigo do homem. Toda a gente sabe que o melhor amigo do homem é o Dog, ou Turtle (estou a abusar “buéss” dos anglicismos porque é fashion…), ou o cat. Aliás o melhor amigo do homem é o próximo, é o companheiro das futeboladas de domingo; o sofredor anónimo ao seu redor no estádio mais próximo; o amigo de infância condenado à mesma sentença de bofetadas depois de um crime comum, decretado por mães diferentes – iguais no conteúdo – ou a mulher (falo por mim…claro) que amas e respeitas.
EPÍLOGO (ou algo semelhante)
Na sala de class (aulas capice?) no telele (telemóvel tas a ver?); because vocês não têm culpa de alguns maus profs que circulam por ai (e alguns maus pais digo eu); mas têm a obrigação moral e física de respeitarem o próximo e – essencialmente – respeitarem-se mutuamente, para serem bem melhores do que este imperfeito jornalista que escreve estas mal traçadas e derivantes linhas, e toda uma geração enrascada.
A DIGNIDADE DA INDIGNIDADE

























