segunda-feira, setembro 06, 2010

Lágrimas d'Chuva



Primeiros ameaços de chuva a sério pela Invicta. Nostalgia no ar pesado e  nas nuvens passageiras que dançam no céu de final de tarde numa esplanada na baixa. Alguma nostalgia se apega aos despegamentos da memória sensitiva.


Viajo ao som do silêncio único que percorre a minha mente. Recalibro o rumo e por momentos  esqueço-me,  ausento-me. Parto-me em dois para voltar a ser um ser por inteiro num final de tarde em que o verão parece querer partir com o colorido garrido e positivo, dando o triunfo ao cinzento do preto general inverno.

No Chile 33 mineiros - heróis - lutam pela vida abaixo do limite do sonho: No limiar da profundidade do pesadelo cavernoso. Acho - penso - que na Somália deve ter morrido um milhar de crianças colectivas, no meio da fome sem sabor e dos exércitos das fileiras feudais de um qualquer senhor da guerra.

Em Portugal - gravito - milhares choram de barriga cheia; milhões de caneca vazia e estomâgo aziago. Na minha esplanada de final de dia, isolo-me no meu mundo paralelo, sem perder a noção do (i)real da estrada da vida. Penso, sonho, fujo e arrepio caminhos positivos das (nas) memórias de todos nós.

Acordo...pego na minha positividade habitual e, entre as dores de parto, rasgo o horizonte avistando o amanhã como âncora de partida para mais uma batalha a travar. Ganhando ou perdendo, a "tusa" está no combate árduo...

sábado, setembro 04, 2010

Finger(tips)

4-4 (ou "não gozem com a malta")

Escrevo estas linhas na tessaca do day after do vergonhoso empate de Portugal com a modesta selecção do Chipre. Má exibição, divórcio do público relativamente à equipa das quinas e um ambiente insustentável no seio da estrutura federativa, são alguns dos pontos a meditar e analisar profundamente.

Com Madail e Queiroz "não vamos lá". Com uma má estrutura de futebol de formação e com as equipas do campeonato tuga a irem buscar estrangeiros por atacado; também não me parece que o futuro tenha algo de belo e cintilante.

Trocando por miúdos:

1) Novo presidente da FPF (fala-se em Vitor Baia ou Fernando Seara...mais uma estupidificante guerra "Norte vs Sul"...).

2) Novo seleccionador nacional (Queiroz chegou ao fim da linha...).

3) Reformatação dos modelos competitivos e de gestão técnica dos escalões de formação nacionais.

4) Debate profundo entre os agentes desportivos do futebol em Portugal.

Mas "isto" é apenas um simples adepto de bancada a falar...

quarta-feira, setembro 01, 2010

Poema Colectivo

um beijo
no centro
do coração
e que a voz
se erga
pulando a cerca da noite
em balidos de veludo
despertando sobre a areia
no aroma da aurora

um beijo
um beijo ao lado do coração
para depois o agarrar
na noite perdida e achada
sem nunca a voz derrubar

da boca nasce então um grito
nas mãos
cravos vermelhos
no coração
amor novo
nascido na madrugada
que aqui não chegou

Poema Completo Aqui

A Frase

"Sou treinador, não o Harry Potter."

José Mourinho 

O Mundo de Obama

Fui um daqueles cidadãos anónimos que, como um pouco por todo o mundo, exultei de forma energética com a eleição de Obama para o assento maior do poder global da politica internacional. Com a consequente eleição do afro americano nos States, o fogo crescente da esperança pareceu contagiar o mundo de luz e positividade reforçada no desespero de uma crise aguda e sem precedentes.

É este "mundo de Obama" mais justo? Mais equilibrado? Com menos tensões geo politicas? A resposta surge com um Não contudente. O terrorismo continua em alta espiral de matança. A economia tarda a estabilizar. Milhões de seres humanos continuam a viver no limiar da pobreza (com menos de 1 euro per capita por dia).

Todos nós precisamos de mitos, de super heróis, de referências holisticas que nos façam (continuar) sonhar e nas horas dos maiores medos e receios, nos instiguem a seguir na frente de combate pura e dura. Para mim Obama continua a representar uma voz de esperança e de ruptura com um passado recente; no entanto cabe-nos a todos nós separar os mitos da realidade do terreno do dia a dia. Sem parar nunca de sonhar.

Land(e)scape

Justiça Poética

Os acontecimentos laborais que tem rodeado o último mês temporal da minha vida (anterior às minhas férias) fazem-me pensar nos principios e lógicas de vida que, no eu individual, todos nós possuimos. De certa forma falo da denominada "estaleca", termo de calão popular utilizado - praticado - um pouco por todos nós.

Tento pautar a minha vida laboral (e pessoal) por principios de não agressão e, essencialmente, preocupar-me mais com o que posso render e fazer profissionalmente do que destilar fel de invejas a terceiros; por vezes figuras invejosas e com maldade pérfida dentro de si; neste competitivo mundo cão laboral. 

Recordo as palavras da minha mãe ao me dizer - no meio de processos de dificuldades várias - que tudo a seu tempo é recolocado na escala das verdades e mais valias que por vezes alguns tendem a nos querer roubar e consequentemente prejudicar

Tudo "isto" a propósito de um período laboral fértil em encaixes positivos e reconhecimentos de algumas das competências que julgo, sem falsas modéstias, possuir.

Verifico também com alguma pena a queda de alguns pseudo impérios de papel e das personagens constituintes. Constato tal desiderato com pena e lástima. Tento aprender todos os dias um pouquinho mais, de forma serena, espontânea e natural. Sem atropelar ninguém, que não sou dado a acidentes rodoviários...

Post Scriptum: A partir de amanhã poderão visualizar, a nível de divulgação, alguns destes novos desafios na área da comunicação, bem como algumas nuances e  caminhos na componente de formação profissional e ensino. 

Como sempre...stay tuned...

segunda-feira, agosto 30, 2010

Bad Media/Good Media

Ao preparar o trabalho de final de curso, a ser apresentado amanhã/hoje, no Instituto de Artes e Ciências, revejo continuamente o tema escolhido: "Marketing e Marketings - O papel das redes sociais".

Actualmente com o fluir de plataformas difusoras vastas, todos nós temos direito aos apregoados 15 minutos de fama de que Andy Warhol falava há não muitos anos atrás. Não somos somente o produto dos media globais que nos rodeiam e nos fornecem informação "fria"; mas possuimos as armas para sermos nós mesmos produtores de informação activa e opinião reactiva de intervenção rápida e vasta, difundida à escala universal.

A noticia factual e "parada", deu lugar aos parâmetros da reacção, da criação e veia interventiva. Nem sempre bem, nem sempre estruturada da melhor forma do conteúdo, mas, mesmo assim, uma via incontornável. Um caminho imparável com "prós" e "contras". Afinal, somos tão e somente humanos imperfeitos, mesmo ao clique de uma opinião ou noticia produzida e factualizada (ou não...).

domingo, agosto 29, 2010

Miras & Mirones

Crónicas de Verão (V)

Acabo estas crónicas - fragmentos - de verão já com a nostalgia que dita o novo rumar a norte para mais uns meses de labuta forte. Curioso o destilar de telefonemas de amigos: A Sul já o cheiro das despedidas camufladas e sempre disfarçadas com um até já forte e sentido. A Norte o positivismo do mel da amizade de quem deseja o meu retorno  para jantares e encontros de "coisa nenhuma", onde a conversa surge sempre fluida e sem rumo definido.

Penso, que, apesar de todas as dificuldades deste ano, sou um homem  com sorte. Às vezes não damos conta dos neutrões positivos que constituem a nossa vida. Dos jogos de afectos, das afinidades e caminhos cruzados com pessoas que nos querem e desejam bem.

Por vezes isolamo-nos na esfera dos nossos receios, na capa das nossas defesas; no elixir que (aparentemente) nos protege e nos parece revigorar. Temos de assumir de uma vez por todas que a capa dos nossos medos é o inimigo principal da amálgama que pode constituir a nossa felicidade futura. 

Crónicas de Verão (IV)

A noite Algarvia continua com o pulsar próprio que marcou a  minha cadência de muitos anos. Os grupos juntam-se agora nas esplanadas junto ao centro histórico, ao contrário de tempos já mortos, arrebatando em crescente a lua e rumando para pontos vários em todo o Algarve.

Agora  o tempo - para mim - é constituído tendencialmente pelos reencontros de verão com "manadas" de amigos. A ansiedade de outros tempos, é marcada agora pelo relax de um convivio sem as pressões teen dos sitios da moda e dos pontos de encontro inerentes à ansiedade que a idade ditava.

Nas ruas dos bares, sinto a falta do Morbidus, do Chaplin ou da discoteca Olimpus. Na Rua de Santo António, a emblemática Bijou é substituida por uma qualquer loja fashion e sem muito conteúdo. A história de cada um de nós é efectivada - validada - também pela temporização que dita modas e alterações "ambientais".

Crónicas de Verão (III)

As férias são para mim a altura devida para fazer as pazes com os deuses da literatura universal. Devoro nos areais algarvios autores vários, seguindo a moleza lenta que as férias ditam e ordenam. 

A média de um livro de 150 páginas por dia, parece-me o ritmo escorreito e fluido que me realiza e suaviza os neurónios - queimados - após mais um ano de lutas. Intervalo as metáforas literárias com um mergulho no mar Algarvio e braçadas vigorosas. Relaxo, flutuando no mar limpído e nú. 

sexta-feira, agosto 27, 2010

Crónicas de Verão (II)

Dia de partilha de Afectos em familia. Após manhã na praia (antecedida de noite entre amigos), sardinhada em familia. Copos destilados ao sabor do tinto alentejano, peixe tostado no sabor apetitoso ditado pela temperatura mediterânica, que faz o pescado Algarvio ter o flavour adequado e (quase) imbatível. 

Meu pai, meu tio e eu (pausa entre homens): Vagueamos nas memórias de quem já não está, recordamos com nostalgia tranquila os tempos que já passaram. As baterias em aberto no futuro. A preocupação (não) revelada do estado de saúde de meu tio e a doença maldita que o aflige. Mais um digestivo e o positivismo a imperar após momentos de pensamento solto em que o cinzento ganhou vulto. 

Crónicas de Verão (I)

Quase um orgasmo tântrico ao sentir pela 1ª vez em 3 anos, o sabor sensitivo do areal algarvio. Mescla liquida, unida com o mar do calmo atlântico, em que a Ria Formosa funciona como catalizador de união entre o equilibrio de um ecosistema rico, vasto mas mal tratado pela mão humana.

O habitual homem das bolas de berlim gordurosas e sebentas; com pregões gastos mas bem humorados. As habituais miúdas adolescentes a exibirem as formas do corpo firme trabalhado especialmente para a vaidade narcisista - própria da idade - de um conto de verão.

Perto, algumas figuras de meia idade sem noção de estética corporal, crepitam ao sol com um hedonismo fútil e (des)ajustado. Um breve olhar para o meu umbigo envolvido inestéticamente num "pneu" próprio dos excessos de férias, traz-me de volta à realidade.

Somos como somos, pensamos como pensamos, agimos como agimos. Afinal, frutos dos tempos e das atitudes que tomamos e com as quais somos confrontados. Sem dramas...

Note Book

Voltagem a subir, após férias que "sabem" sempre  a pouco mas que me encheram as medidas no sentido obrigatório das coisas simples e aparentemente banais que me realizam: Idas madrugadoras à praia, passeios à beira mar, caipirinhas saborosas, cinema com pipocas e simples convivio com amigos de longa data e familia.

Conforme prometido a  mim próprio, desliguei-me (mediante o possível) do mundo exterior a este pequeno universo mencionado. Telemóveis em (quase) silêncio, idas esporáticas ao universo web e mesmo o destilar de linhas bloguisticas, confinadas a notas soltas (manuais) em bloco livre de pensamentos demasiadamente elaborados.

Partilho agora 5 crónicas de verão. Rápidas e telegráficas, com as palavras leves que plagiei de mim mesmo e das emoções (pulsões) que me acompanharam por breves momentos em férias. Espero que gostem...

Nu(a) e Cru(a)

quarta-feira, agosto 25, 2010

De Volta

Após 17 dias ao sol plantado, regresso à Invicta ainda sob o signo de um tempo seco e quente. Os primeiros acordes laborais já a soarem: Organização de agenda, aparas finais no curso de formação pedagógica inicial para formadores no I.A.C

Hoje sem tempo para muito mais do que uma "Olá" a todos vós, e a promessa de que a partir de agora, artigos, videos e afins vão começar a fluir ao ritmo habitual. A vida segue com boa energia rumo a novos e aliciantes desafios que espero agarrar com a raça que possuo na minha amálgama imperfeita de ser humano que tenta melhorar um pouco ao ritmo dos dias que passam rápidos...demasiadamente rápidos...

sexta-feira, agosto 06, 2010

Off Line

A todos aqueles que por aqui passam; uma nota de afecto e de obrigado sincero. Até dia 23 estarei  off line em gozo de férias relaxantes e merecidas; e como tal sem a fluidez de artigos, imagens e videos na cadência habitual. 

Continuem a visitar este espaço, deixem os vossos comentários. Aproveitem para viajar nos arquivos de 3 anos de artigos e mais de 3 mil posts publicados. E por favor...façam o favor de (pelo menos tentar) ser felizes...

Beijos e Abraços 

Paulo Correia

quinta-feira, agosto 05, 2010

Felina

Almost

Dois dias de intervalo rápido e decrescente, antecedendo a a partida no sábado de amanhã para o Algarve, local (eternamente) eleito de férias ideais. Alguns pormenores de última hora de natureza laboral visando já alguns aliciantes projectos para final de Agosto; marcam a práxis da minha actualidade.

Os telefonemas do costume "da malta", bem como o nervoso miudinho da minha mãe, insistindo em confirmar, até ao tutano do coração de amor, a hora prevista de partida e potencial chegada. Como em tudo na vida, o eterno jogo das viagens entre 2 pontos de referência.

quarta-feira, agosto 04, 2010

(nova) Onda Vermelha

Com a supertaça já no imediato futebolistico, arrisco-me a vaticinar que se avizinha mais um ano de euforia (pré) encarnada ditada pelas proezas messiânicas de Jesus (Jorge). Porto à procura de uma nova (renovada) identidade e com um treinador em fase de afirmação; bem como um Sporting à procura de fugir do abismo existencial e profundo no qual resvalou no último ano.

Com a tendência normal de quem se inclina para o vermelho, arrisco-me a enbarcar já na Joy Ride do carrossel de entusiasmo fanático, com que os apaniguados do deus vivo Jesus-Encarnado já rebolam e sonham na auto estrada competitiva da nova época do soccer indígena.

Matilde & Alice

A vida é mesmo uma besta danada. "Até ai" acho que concordamos todos, as curvas e contra curvas; as estradas sinuosas, às quais se seguem momentos em que podemos apreciar a paisagem metafórica (ou não) e avistar um pôr do sol magnifico ou a imensidão vasta de um mar azul.

Tudo "isto" para vos falar da Matilde e da Alice. Duas meninas corajosas e lindas com necessidades especiais ditadas pelas viscitudes da vida. Mais uma vez, os meus destinos se unem com os frutos do acaso das runas da sorte e "arrastam-me" para uma assessoria global na qual a O.N.G Sonho d'Afectos representa um ponto de encontro de ajuda às crianças mais carenciadas em variados níveis.

Depois do contacto de um mar maravilhoso de crianças aquando da assessoria do I Festival Eco Kids; em que parcerias com a Acreditar e com o IPO (Porto) me levaram a enfrentar a dura realidade de uma doença maldita na esfera infantil; mais uma vez o destino falou e dá me o privilégio de amadurecer a trabalhar.

Com 3 dias regressivos para as almejadas férias, hoje é dia puxado em Gaia na Sonho d'Afectos, seguido de 3 horas de aulas e consequente teste no I.A.C. Com  stress  e adrenalina forte...eu gosto assim...

terça-feira, agosto 03, 2010

Sport Billy...

Anti Chumbos?!

Causa-me o mais profundo dos incómodos, o facto de estar cada vez mais próxima a época temporal na qual as "criançinhas" cá do burgo tuga, pasme-se, não terão metodologias e provas de avaliação de conhecimentos na escola global.

Mais uma onda de facilitismo que irá desaguar num modelo de ensino relaxado, parado e com consequências nefastas a curto-médio prazo. Teremos uma geração de analfabetos funcionais, em que o mérito e a excelência andarão ao mesmo nível da mediocridade geral institucionalizada.

Concordo que o paradigma de ensino para as novas gerações, é diferente do modelo ao qual fui "obrigado" a aderir enquanto estudante do primário até ao ensino superior. Concordo também que o desenvolvimento tecnológico ao serviço do ensino pode encurtar barreiras e facilitar de forma positiva métodos de aprendizagem.

No entanto, já não concordo que deixem de existir "balizas" de avaliação (independentemente da forma das mesmas); dando azo apenas a uma bandalheira sem limites, a um espirito dogmático na qual os "pré" teens e teens de hoje não saibam adquirir o gosto pelo ultrapassar de desafios e não possuam (desenvolvam) o espirito aberto para os desafios destes tempos fucked de vacas magras.

Até Já

Noite de jantar não planeado, e decidido no instinto do selo que une as amizades da vida rápida mas intensa. Vinho da Ângela, rissóis e salgados vários da Fátima (com a ajuda do Mário); e uma salada mista "à minha maneira" com alface verdejante e viva, soja saudável e cogumelos bem apetecíveis.

A conversa derramou-se do frasco contido, e deu azo às despedidas do "até já habitual" com que brindo a minha tribo antes da partida para 20 dias de férias em pleno reino algarvio. Lá, no Algarve, reencontro a minha clã familiar de base bem como a "outra" tribo de amizades de anos e anos de venturas e desaventuras.

Confesso...estou naquela fase em que o corpo (ainda) obedece mas a "moina mental" começa a pedir um descanso, para reciclagem de pilhas de paciência/resistência. Encaro esta pausa - sempre - como o regresso a mim mesmo, no qual recordo vezes sem conta "quem eu sou", "de onde vim" e as razões pelas quais luto e acredito sempre numa vida melhor, mesmo no meio das máscaras e não pessoas que, muitas vezes, temos que enfrentar no nosso dia a dia...

domingo, agosto 01, 2010

No Horizonte

Cresce a ansiedade conforme o dia 8 de Agosto se aproxima do horizonte, devidamente marcado como o primeiro dia de vacaciones de verão. Regresso ao meu Algarve de sempre, aos cheiros e cores que sempre me acompanham na memória de sentimentos, complementada pelo grafismo subliminar de imagens e cenários que "mexem" comigo.

Já penso no mar claro e na areia branca que me irá dar aquela sensação de paz e tranquilidade, que me aplaca e permite recarregar baterias de forma suave e com boas vibes ao redor. A banalidade tranquila de caipirinha, intervalada por cerveja gelada com o riso de amigos e as piadas de sempre, mescladas pelas nossas novas aventuras assimiladas na roda viva da vida sempre em mutação.

Até lá, ultimo as últimas cartas do naipe  laboral, (re)organizando alguns projectos (já) em desenvolvimento e toda a sua dinâmica comunicacional. Preparo também mais uma semana de aulas no Instituto de Artes e Ciências, antevendo a "supresa" já revelada aos colegas e formadores, de que cumprirei a promessa de, nas aulas de "chat" em b-learning, estar comodamente instalado no areal Algarvio...


sexta-feira, julho 30, 2010

Folhas Caidas

Derramo estas linhas com um nervosismo não habitual em mim, calejado em milhares de linhas, em milhões de palavras várias. Os presentimentos (sonhos) estranhos dos últimos dias ganharam corpo infelizmente visivel com laivos de dor alheia, mas que atinge pessoas próximas do meu coração de afectos.

A morte nunca escolhe caminho recto e direito, não escolhe altura própria nem devida. Simplesmente surge com a lentidão irritante de uma folha a cair numa tarde outonal de verão quente. Corrói e salta para o asfalto seco, estilhaçando todos em volta.

Hoje irá se falar na teia mediática da luta inglória mas corajosa de António Feio, que sucumbiu aos 55 anos a um cancro no pâncreas após um ano e meio de combate. Mas hoje também uma menina-mulher vai enterrar seu pai, no anonimato dessa teia do mediático. Uma menina-mulher vai chorar para dentro ou para fora, vai ser amparada pelos muitos que a amam.

Uma menina-mulher vai simplesmente se abraçar à sua mãe guerreira de carne e à sua outra mãe de espirito e amizade sólida que sobrevive a todos os rochedos que a vida derrama na tempestade que não escolhe idades. Faço uma pausa, acendo um chá no corpo quente e fervo no meu ser. Espero um pouco para secar as lágrimas que não derramei hoje à tarde, em troca simples de palavras sempre poucas nestas alturas em que o drama quase nos paralisa.

É uma dor alheia mas que dói, por doer a alguns por quem o meu coração sente. Não conheci o pai da menina-mulher pessoalmente. Apenas um homem, um pai que amava a filha. Neste momento é mesmo o importante da trama do drama: Um pai que amava a filha, uma filha que amava o pai.

O dia desperta lá fora na seiva da vida que se liga à morte. O eterno jogo de ciclos que quebram, começam, recomeçam. Em qualquer sitio do mundo um bebé nasce ou um homem morre. Com a fragilidade  das folhas caidas...

Este texto será certamente lido por muita gente, mas dedico-o essencialmente a Ti e à Tua Mãe...