terça-feira, março 27, 2007

Mocidade Portuguesa (I)


Acerca de toda esta panóplia Salazarista dos últimos tempos, recebi um post extremamente bem redigido em Português escorreito e geometricamente (des) medido. De forma educada e correcta o autor desse post (vêde artigo "Insanidades dos Tempos" ) (des)fundamentou a tese de que Salazar afinal foi um iluminado que brilhou, qual farol de sapiência, no nosso pais durante cerca de 40 anos. Carinhosamente o autor desse post tratou-me por rapaz, portanto presumo que o autor de tais linhas seja um senhor com uma idade provecta e a (i)reflectir a sua opinião positiva e positivista sobre o Grande Ditador (com D grande claro...). Sendo um "rapaz" de 32 anos orgulho-me de ter amigos pelo que esse conceito realmente significa : AMIZADE e TOLERÂNCIA. De variados quadrantes politicos, de várias "clubites" diferentes e com concepções de vida completamente diferentes. Esse facto chama-se na democracia da amizade : ACEITAÇÃO.

Sendo um animal social, nunca me limitei a ler os manuais oficiais da história. Procurei factos, opiniões diferentes. Bebi da experiência de vida daqueles que me são próximos, e a partir dai tirei minhas notas de rodapé e servi-me a mim próprio da minha própria essência e progressão na vida, facto que me orgulho de ser um ponto - a minha vida - de partilha de experiências e de opiniões. Esse facto chama-se em democracia PARTILHA. Todos sabemos o estado lastimoso em que este pais se encontra. Todos (quase todos...) vivemos e vivenciamos o dia a dia como uma luta constante contra contrariedades e adversidades várias. A geração de Abril ( a geração politica ) pode ter falhado em quase tudo pós 25 de Abril, mas definitivamente deu-nos a capacidade de podermos ter azia a céu aberto. De podermos blasfemar a linguagem da democracia e apregoar aos 7 ventos o nosso contentamento descontente. Evitou também que aqui o "rapaz" servisse de carne para canhão nos trópicos do inferno africano colonial.Essencialmente permitiu-nos uma coisa que em democracia se chama ESCOLHA MÚLTIPLA (como aquela história dos orgasmos...) e capacidade para errar e errar e errar pelos nossos próprios actos e pensamentos. Mantenho a minha opinião e convicção que Salazar foi pura e simplesmente um Demagogo (com D grande) e um Ditador (outro D grande) que conseguiu manter a lusitânia na ignorância, no analfabetismo e na pobreza extrema (pobres com p pequeno); levou-nos para uma guerra (com g pequeno) fraticida. Um estadista?!Um visionário?!Um democrata?!Um ser de luz e bondade?!Pior cego é aquele que efectivamente não quer ver...

2 comentários:

  1. COM OS SEUS DEMAGOCICOS 32 ANOS NÃO DEVE MINIMAMENTE "SABER" A PERSONALIDADE DE UM PORTUGUÊS QUE LIDEROU O NOSSO "QUERIDO PAÍS" DURANTE 40 LONGOS E BONS ANOS!! DEMAGOGIA FEITA SEM UM PENSAMENTO E COM A DISTORÇÃO REALISTICA DA NOSSA SOCIEDADE ACTUAL, OU SERÁ MAIS UM PESAR DE CONCIÊNCIA POLITICA DE QUEM NUNCA SE IMPORTOU COM O POLITICO QUE TODOS QUERIAM VER...!!! PENSE!!! LEIA!!! INFORME-SE E AÍ TALVEZ CONSIGA RESOLVER OS SEUS PROBLEMAS POLITICOS! AFINAL O QUE PRETENDE?

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  2. 1. Morreu Salazar. Morreu o estadista de génio que durante 40 anos se
    entregou totalmente ao serviço da Pátria — ao seu progresso, ao seu prestígio,
    à sua inquebrantável defesa. Morreu o sociólogo, e o pensador que criou uma
    doutrina, que primou pela verdade dos axiomas, pela clareza das ideias, pela
    profundidade e extensão das coordenadas e pela universalidade e actividade
    dos conceitos. Morreu o professor que ensinou em Coimbra e formou élites e
    fez da sua cadeira do Poder em S. Bento uma constante cátedra de onde
    foram dadas lições extraordinárias de direito e de filosofia políticas e,
    sobretudo, de portugalidade e da arte de bem governar e de bem servir. Morreu
    o homem íntegro, isento e probo, que tudo sacrificou ao cumprimento do seu
    dever e a uma concepção escolástica da vida.
    2. Ainda sob o império da emoção e na actualidade dos factos que
    ilustram um governo e uma vida, não é possível fazer um juízo sereno e isento
    — pelo menos que seja assim entendido — do estadista, do sociólogo, do
    professor e do homem que foi Salazar.
    Mas penso que, por evidente, não é difícil nem apaixonado ligar o nome
    de Salazar, desde já e definitivamente, a três factos incontestáveis: a
    estabilização financeira; o prestígio do Estado; a defesa do Ultramar.
    Sobre a obra financeira escreveu Marcello Caetano, em 1933: «A obra
    financeira do Dr. Salazar é hoje em Portugal uma realidade irrecusável. Negála
    é negar a evidência. Só a cegueira voluntária a não descortina. Só a
    mesquinhez de espírito a não sente e dela se não orgulha. Se Portugal se
    redime e exalta — deve-o ao trabalho obscuro e lento daquele cujos primeiros
    anos de governo passaram entre dificuldades incalculáveis na luta contra a
    desordem financeira que se tornara constitucional. Venceu-se a luta. E a
    vitória, aparentemente restrita ao domínio puramente técnico, — simples
    subjugação aos algarismos — revelou-se afinal o ponto de um povo...».
    O prestígio do Estado resultou de uma profunda reforma de estruturas,
    desde a raiz ao cume, cujas linhas mestras constam da Constituição de 1933,
    que constitui documento ímpar de lucidez e de realismo políticos, com a semirigidez
    suficiente para resistir — como já resistiu e há-de resistir ainda no futuro
    — às contingências do tempo e à instabilidade dos homens.
    A síntese da concepção do Estado, no pensamento de Salazar e que se
    reflectiu na Constituição e influiu em toda uma época, recheando-se de
    efectivar com outros princípios, está feita nestas palavras lapidares, extraídas
    do discurso pronunciado na sala do Conselho de Estado, em 30.07.1930: «Na
    crise de autoridade que o Estado atravessa, dar-lhe autoridade e força para
    que mantenha imperturbável a ordem sem a qual nenhuma sociedade pode
    manter-se e prosperar; organizar os poderes e funções do Estado de forma que
    se exerçam normalmente, sem atropelo ou sem subversões; não coartar ao
    Estado a livre expansão das actividades que se movem e actuam no seu seio,
    senão no que seja reclamado pelas necessidades de harmonia e coexistência
    social; definir os direitos e garantias dos indivíduos e das colectividades e
    estabelecê-los e defendê-los de tal modo que o Estado os não possa
    desconhecer e os cidadãos os não violem impunemente — isto é liberdade.
    Arrancar o poder às clientelas partidárias; sobrepor a todos os interesses
    o interesse de todos — o interesse nacional; tornar o Estado inacessível à
    conquista de minorias audaciosas, mas mantê-lo em permanente contacto com as necessidades e aspirações do País; organizar a Nação, de alto a baixo, com
    as diferentes manifestações da vida colectiva, desde a família aos corpos
    administrativos e às corporações morais e económicas, e integrar este todo no
    Estado, que será assim a sua expressão viva — isto é dar realidade à
    soberania nacional.
    Ter bem presente no espírito que os homens vivem em condições
    diferentes e que esse facto se opõe, por vezes, a que seja uma realidade a sua
    igualdade jurídica; proteger o Estado de preferência aos pobres e aos fracos;
    fomentar a riqueza geral para que a todos caiba ao menos o necessário;
    multiplicar as instituições de assistência e de educação que ajudem a elevar as
    massas populares à cultura, ao bem-estar, às altas situações da Nação e do
    Estado; manter não só abertos, mas acessíveis, todos os quadros à ascensão
    livre dos melhores valores sociais — isto é amar o povo, e se a democracia
    pode ainda ter um bom sentido, isto é ser pela democracia».
    Em 1930, Salazar previu e realizou, assim, uma perspectiva moderna do
    Estado, forte e social, que hoje se aceita por quase toda a parte como a mais
    própria para realizar o bem comum da polis que é, afinal o fim último e rentável
    da política.
    A defesa do Ultramar resultou de um imperativo de ordem histórica e
    constitucional mas, acima de tudo, de um acto de lucidez e de inteligência.
    Explica-o o próprio Salazar, em 13.04.1966, ao dirigir-se aos
    representantes de Angola, nestas significativas palavras: «Quisesse relembrar
    uma simples frase proferida de Lisboa, em igual dia de há cinco anos, em
    momento trágico da nossa vida em Angola por cuja defesa o Governo
    entendeu ser imperioso lutar rapidamente e em força. Estas duas estavam
    longe de ser mera expressão literária: traduzindo na verdade uma política, elas
    eram, antes de tudo, uma séria decisão de Governo. Tal decisão não nasceu
    de revolta sentimental: era fruto de reflexão longamente amadurecida que nos
    englobava a nós e a todos os povos de África».
    Essa política — aberta a todas as soluções que não colidissem com a
    unidade nacional — é, em síntese, a política de integrar todos os territórios e
    povos em uma única comunidade, multirracial e pluricultural e de garantir, em
    todas as circunstâncias, a sua evolução natural e pacífica, de administrar bem
    os territórios e de promover a sua máxima expansão; de defender os povos da
    barbárie do terrorismo e da alienação do neocolonialismo; de não admitir, de
    forma alguma, a interferência de terceiros nos seus negócios internos, no uso
    do direito de autodeterminação que nos assiste; de criar e de preservar as
    necessárias condições para que os povos realizem o seu destino com
    independência e para que os territórios progridam sem soluções de
    continuidade e sem hipotecas aviltantes; de constituirmos na África um
    exemplo de ordem, de sociedade hierarquicamente organizada, de
    prolongamento civilizacional da Europa e de descolonização que visa, acima de
    tudo, a paridade das etnias, a igualdade dos direitos e de oportunidades, a
    simbiose das culturas, a interdependência dos territórios e a
    complementaridade dos recursos e dos bens.
    Essa política é a única política capaz de servir os reais interesses de
    Portugal, da Europa e da África.»
    Continuá-la será, também, um acto de lucidez e de inteligência; é o
    maior dever que incumbe às gerações presentes e futuras e a mais efectiva
    homenagem que a Nação poderá prestar a Salazar que viveu e morreu com o pensamento sempre posto nas possibilidades imensas da Comunidade
    Lusíada — diversificada e desenvolvida mas sempre una e indivisível.
    3. «Sou um homem independente. Sou, tanto quanto se pode ser, um
    homem livre. Pude esclarecer-me. Fui humano. Pude servir. Pude comparar.
    Gozo do raro privilégio do respeito geral».
    São palavras ditas por Salazar quando pretendia provar que podia, «sem
    ambições, sem ódios, sem parcialidades, na pura serenidade do espírito que
    procura a Verdade e da consciência que busca o caminho da justiça», fazer um
    depoimento, «depoimento sincero e, se não convincente, ao menos vivido e
    desinteressado».
    Foi um homem independente porque ganhou o Poder por mérito e não
    por influência de clientelas, de conspirações ou de votos. Foram convidá-lo a
    Coimbra onde ensinava Economia Política. Não aceitou, de início, mas acabou
    por ceder, depois de sua mãe lhe ter dito que não devia negar-se. Por isso,
    subiu as escadas do Ministério das Finanças, tornando delas a descer quando
    concluiu não estar ainda a administração pública livre e partidária. E só voltou
    ao ter a certeza da confiança da grei para reconstruir o país e edificar um
    Estado Novo.
    Sendo independente foi também um homem livre. Livre para se dedicar
    ao cumprimento integral do dever; para pôr, acima de tudo, a Verdade; para
    exigir, primeiramente, de si o que gostaria de exigir aos outros; para renunciar
    aos prazeres e às honras da vida e para se sacrificar pelo bem comum.
    Independente e livre, serviu com a plenitude das suas virtudes, da sua
    capacidade intelectual, da sua grandeza de alma e de intenções, da sua mente
    sólida e ponderada, da sua estrutura portuguesa e cristã, das suas atitudes, da
    sua simplicidade, do seu querer e do seu poder. Serviu com o clarividente e
    são pensamento que se transformou em actividade febril, plasmada em
    realizações medidas por horas de trabalho árduo e perseverante.
    Serviu e a prová-lo fica uma obra que merece o reconhecimento e o
    aplauso de portugueses e de estrangeiros.
    Tudo resultou da formação, do estudo e do esclarecimento que guardou
    do tempo em que viveu com seus pais; em que esteve no Seminário; em que
    permaneceu no Colégio da Via Sacra; em que foi aluno, Assistente e
    Catedrático da Universidade de Coimbra.
    Formação, estudo e esclarecimentos processados à luz das certezas
    católicas e com uma vocação psico-analítica pouco comum que o habituou a
    distinguir o imutável do mutável, o permanente do efémero e o essencial do
    acessório.
    Ser-se humano sob a soberania do espírito, é difícil, e além de ser difícil,
    é virtuoso pelo que impõe de humildade, de autodisciplina e de supremacia dos
    valores transcendentes. Assim foi Salazar que nasceu, cresceu e amadureceu
    em um ambiente de desordem e de dúvida; de tensão e de perigos
    permanentes; de demagogia e de ódios. Assistiu a revoluções, a quedas
    constantes de ministros, à substituição de regimes, a assassínios de Reis, de
    Príncipes e de Presidentes. Sentiu o brio nacional, a capacidade criadora dos
    portugueses, a própria sobrevivência de Portugal, ameaçados por
    incontroláveis paixões, pela hipoteca financeira, pela ruína económica, por
    divisões estéreis e pela anarquia generalizada.
    O panorama actual é de paz nas ruas e nas consciências; de trabalho e
    de aproveitamento dos recursos; de finanças sólidas; de obediência à
    autoridade constituída; de hierarquia e de disciplina; de harmonia dos
    interesses; de consciência e de competência administrativas; de prestígio das
    instituições; de culto pelo passado e de respeito pela herança que nos legou.
    Pôde, por isso, comparar e, ao mesmo tempo reivindicar para si, o
    mérito da mudança.
    Por tudo, Salazar gozou do raro privilégio do respeito gera, àquem e
    além fronteiras. Mesmo os que se lhe opuseram e os que, por despeito ou
    ambição, o discutiram, reconhecem em público ou no silêncio das
    consciências, a probidade, a coragem e a coerência mantidas, sem quaisquer
    desalentos, por um estadista, um sociólogo, um professor e um homem,
    constantemente fiel à sua Pátria e a si mesmo.

    Agora, pense Sr. Farense...

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